Poemas

One Art

The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day.  Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel.  None of these will bring disaster.

I lost my mother’s watch.  And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.

I lost two cities, lovely ones.  And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.

- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied.  It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop

The More Loving One 

Looking up at the stars, I know quite well 
That, for all they care, I can go to hell, 
But on earth indifference is the least 
We have to dread from man or beast.  

How should we like it were stars to burn 
With a passion for us we could not return? 
If equal affection cannot be, 
Let the more loving one be me.  

Admirer as I think I am 
Of stars that do not give a damn, 
I cannot, now I see them, say I missed one terribly all day.  

Were all stars to disappear or die, 
I should learn to look at an empty sky 
And feel its total dark sublime, 
Though this might take me a little time.

WH Auden

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever; I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up th emoon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood,
For nothing now can come to any good.

WH Auden

Vou me embora pra Pasargada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei 

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira

A Une Passante

La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majesteuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balancant le feston et l'ourlet;

Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Noi, je buvais, crispe comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide ou germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.

Un eclair… puis la nuit! - Fugitive beaute
Dont le regard m'a fait soudainement renaitre,
Ne te verrai-je plus que dans l'eternite?

Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore ou tu fuis, tu ne sais ou je vais,
O toi que j'eusse aimée, o toi qui le savais!

Charles Baudelaire

No Meio de Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Tinha uma pedra
No meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tao fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade

Jose

E agora, Jose?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, Jose?
e agora, Voce?
Voce que e sem nome,
que zomba dos outros,
Voce que faz versos,
que ama, protesta?
E agora, Jose?

Esta sem mulher,
esta sem discurso,
esta sem carinho,
ja nao pode beber,
ja nao pode fumar,
cuspir ja nao pode,
a noite esfriou,
o dia nao veio,
o bonde nao veio,
o riso nao veio,
nao veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Jose?

E agora, Jose?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerencia,
seu odio, - e agora?

Com a chave na mao
quer abrir a porta,
nao existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas nao ha mais.
Jose, e agora?

Se voce gritasse,
se voce gemesse,
se voce tocasse
a valsa vienense,
se voce dormisse,
se voce cansasse,
se voce mordesse…
Mas voce nao morre,
voce e duro, Jose!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
voce marcha, Jose!
Jose, para one?

Carlos Drummond de Andrade           

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento 
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vive-lo em cada vao momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angustia de quem vive
Quem sabe a solidao, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que nao seja imortal, posto que e chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes

Soneto da Separacao

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das maos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a ultima chama
E da paixao fez-se o pressentimento
E do momento imovel fez-se o drama.

De repente, nao mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo proximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, nao mais que de repente.

Vinicius de Moraes

Ilusoes da Vida

Quem passou pela vida em branca nuvem
E em placido repouso adormeceu;
Quem nao sentiu o frio da desgraca,
Quem passou pela vida e nao sofreu;
Foi espectro de homem, nao foi homem,
So passou pela vida, nao viveu.

Francisco Otaviano

© Aureo de Paula 2012